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terça-feira, 27 de abril de 2010

Atropelar gato pode dar multa

Por décadas tem sido considerado crime no Estado de Nova York atropelar uma vaca, um cavalo ou um cão e fugir sem tentar localizar o dono ou ao menos notificar a polícia local. No caso dos gatos, não havia problema. Mas agora aprovou-se uma lei que inclui o gato. Conhecido como o projeto do “Gato Achatado”, essa lei torna crime fugir depois de ter atropelado um gato, sem pelo menos comunicar o ocorrido à polícia. Deixar de fazer isso pode resultar numa multa de 100 dólares “por omissão de socorro” ao gato. “Para os amantes de gatos, trata-se duma brilhante perspectiva do fim de um tipo de discriminação contra uma espécie”, comentou o jornal The New York Times.

Bicho de estimação ou de destruição?

Desde o tempo do Egito antigo, o gato é um bicho de estimação muito comum. Na Austrália, 37% dos lares têm pelo menos um gato. Muitos não são castrados e filhotes indesejados são jogados em áreas descampadas da localidade, onde crescem, procriam e aumentam a população de gatos selvagens.
Para prevenir que seu animal de estimação se torne uma praga ambiental, o Serviço de Vida Selvagem e de Parques Nacionais na Austrália recomenda o seguinte: não deixe seu gato solto, especialmente à noite; dê alimentação adequada; identifique-o com uma coleira, etiqueta ou implante de microchip; coloque três sinetas na coleira a fim de alertar os animais selvagens; castre-o; e construa uma cerca em seu quintal para impedir que o gato fuja.
Colocar essas sugestões em prática custa tempo e dinheiro, mas para os australianos que gostam de gatos, vale a pena.

Colonizadores extremamente adaptáveis

Os gatos selvagens reproduzem-se muito rápido. Uma fêmea dá à luz uma ninhada de até sete gatinhos antes de completar um ano de idade. Daí, ela passa a ter até três ninhadas por ano, cada uma composta de quatro a sete filhotes. Ela continua fértil durante toda sua vida, que pode durar de sete a oito anos. Se uma fêmea tiver anualmente apenas três filhotes fêmeas e três machos, e se acontecer o mesmo com suas crias fêmeas, dentro de sete anos aquele único indivíduo terá dado origem a milhares de descendentes.
Para sobreviver ao clima árido da Austrália, porém, é necessário mais do que uma boa capacidade reprodutiva. Os gatos caçam à tarde quando está mais fresco, ou cedo de manhã. Evitam o calor do dia dormindo em troncos ocos ou em tocas de coelho. Além disso, os gatos selvagens conquistaram até o deserto mais seco, visto que não precisam beber água para sobreviver. Eles obtêm o líquido de que precisam da carne fresca dos animais que caçam.
Os gatos selvagens também são muito flexíveis em sua alimentação. Embora prefiram coelhos, o Serviço de Vida Selvagem e de Parques Nacionais da Nova Gales do Sul declara: “Os gatos matam e comem mais de 100 espécies de aves nativas da Austrália, 50 espécies de mamíferos e marsupiais, 50 espécies de répteis e muitas outras de rãs e invertebrados.” E eles têm apetite voraz. Um gato macho pode comer todos os dias entre 5% e 8% de seu peso corporal. Se estiver amamentando filhotes, a fêmea pode consumir diariamente até 20% de seu peso. Numa ilha isolada, somente 375 gatos selvagens consumiram 56.000 coelhos e 58.000 aves marinhas em apenas um ano.
A maioria dos animais nativos da Austrália não é páreo para o gato selvagem. Segundo a revista Ecos, especializada em meio ambiente, acredita-se que devido à caça predatória, os gatos selvagens sejam responsáveis pelo “pouco sucesso do programa de reintegração de mamíferos ameaçados de extinção nas regiões áridas da Austrália”.