terça-feira, 10 de agosto de 2010

É errado ser cruel com os animais?

NUMA rinha da América Central, todos os olhos estão mirados em dois galos, um vermelho e um branco. A multidão delira quando o galo vermelho, com uma lâmina afiadíssima presa ao pé, acerta um golpe no galo branco. O juiz ergue os dois galos. O branco esmorece e morre, sangrando. A briga de galo terminou.

No sul das Filipinas, dois garanhões são lançados um contra o outro. Os espectadores assistem ao espetáculo horripilante, à medida que os cavalos são mordidos nas orelhas, no pescoço, no focinho e em outras partes do corpo. Embora ambos talvez saiam vivos do ringue, pelo menos um deles possivelmente sairá mutilado ou cego, ou tão ferido que venha a morrer mais tarde.

Dois cachorros na Rússia se atacam. Pouco depois, com olhos vazados e orelhas retalhadas, eles vagam por aí com patas mutiladas e sangue escorrendo de carne dilacerada.

Há séculos, o homem lança animal contra animal em nome do esporte, muitas vezes impelido pela jogatina. Acrescente-se à lista as touradas, a caça à raposa e até briga de aranha. Além disso, muitos animais sofrem em nome da ciência. E um incontável número de animais sofre por negligência, intencional ou não, de seus donos.

Alguns países têm leis que regulam o tratamento de animais e proíbem atos cruéis. Já em 1641, a Colônia da Baía de Massachusetts elaborou “O Código de Liberdades”, que dizia: “Nenhum homem deve exercer tirania ou crueldade contra quaisquer das criaturas brutas [animais], que, em geral, são criadas para uso do homem.” Desde então fizeram-se leis e formaram-se sociedades em defesa dos animais e contra a crueldade.

Mesmo assim, muitos promotores das acima mencionadas brigas por esporte não se consideram cruéis com os animais. Alguns afirmam amar os animais cujo sofrimento e morte brutalmente provocam. Amantes da briga de galo dizem que as suas aves vivem mais tempo do que as demais da espécie, destinadas à panela. Que grande consolo!

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