quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um refúgio para espécies ameaçadas

DO REDATOR DE DESPERTAI! NA ESPANHA
NO MUNDO inteiro, há cada vez mais perigos que ameaçam a sobrevivência de plantas e animais. Alguns cientistas calculam que milhares de espécies são extintas todo ano. Felizmente, as cadeias de montanhas são um refúgio vital para plantas e animais que costumavam viver em áreas mais amplas. Mas, mesmo nesses refúgios, a poluição e a atividade humana representam uma ameaça. Talvez em nenhuma outra parte da Terra isso seja tão evidente quanto na Europa, uma das regiões mais povoadas do planeta.
Nos Pireneus, uma cadeia de montanhas na fronteira da França com a Espanha, muitos parques nacionais servem de proteção para a fauna e a flora da região. Nessas áreas protegidas, visitantes têm a oportunidade de ver o que se tornou um refúgio para muitas espécies ameaçadas. Vejamos brevemente o que esses parques oferecem.
Espécies lutam pela sobrevivência
Flores. Algumas das mais belas flores silvestres crescem em altitudes acima de 1.500 metros. As gencianas das espécies Gentiana nivalis L. e Gentiana clussii (1), com suas vívidas pétalas azuis, formam um tapete nas encostas das montanhas, muito acima da linha das árvores. Mais abaixo nas encostas, muitas orquídeas sapatinho-de-dama (2) continuam a florir num bosque de faias. Centenas de amantes da natureza visitam esse bosque todo ano. Por isso, guardas-florestais o vigiam 14 horas por dia, para garantir que essas valiosas flores não sejam danificadas ou arrancadas.
Borboletas. Prados alpinos bem preservados e forrados de flores silvestres abrigam borboletas coloridas. A grande borboleta Apolo (3), com vívidas manchas vermelhas nas asas, voa entre os cardos. Flores menores recebem a visita constante de borboletas azuis e de borboletas cor-de-cobre (4) da família das Lycaenidae. Borboletas bela-dama e casco-de-tartaruga voam pelas encostas mais altas.
Animais. Houve uma época em que muitos dos maiores mamíferos da Europa vagueavam por vastas regiões do continente. Mas alguns estão quase extintos por causa da caça. Lobos, ursos, linces (5), bisões, camurças e cabras-montesas (6) vivem agora apenas em algumas cadeias de montanhas ou em regiões bem distantes no norte. Os majestosos animais nas reservas dos Pireneus não deixam dúvida de que essas montanhas já estiveram repletas de vida selvagem. Alguns visitantes preocupados se perguntam o que o futuro reserva para os poucos animais que restam ali.
Temos boas razões para confiar que o Criador, Jeová, Aquele “a quem pertencem os picos dos montes”, se preocupa com a vida selvagem nas montanhas. (Salmo 95:4) Em um dos salmos, Deus diz: “A mim pertence todo animal selvático da floresta, os animais sobre mil montanhas. Conheço bem toda criatura alada dos montes.” (Salmo 50:10, 11) Em vista da preocupação de Jeová com a Terra e com suas criaturas, podemos ter certeza de que ele nunca permitirá que os animais das montanhas desapareçam.

1 Gentiana clussii
2 orquídeas sapatinho-de-dama
3 borboleta Apolo
4 borboletas cor-de-cobre
5 linces
6 cabras-montesas


terça-feira, 29 de junho de 2010

As asas dos aviadores da natureza

▪ Na sua opinião, quem é mais eficiente no ar? Aviões ou animais como morcegos, insetos e pássaros? Por incrível que pareça, os aviões não são páreos para essas pequenas maravilhas da natureza, que “possuem habilidades impressionantes de se manter no ar mesmo com ventos fortes, chuva e neve”, disse Wei Shyy, professor de engenharia aeroespacial na Universidade de Michigan. Qual é o segredo? Bater as asas — algo que o homem inveja desde suas primeiras tentativas de levantar vôo.
Analise o seguinte: Durante o vôo de alguns pássaros e insetos, suas asas sempre mudam de formato para se adaptar ao ambiente. Isso os habilita a pairar no ar e realizar manobras bruscas. A revista Science News comenta o que foi observado nos morcegos: “Quando voam a uma velocidade baixa, de cerca de 1,5 metro por segundo, os morcegos viram as pontas das asas para baixo e rapidamente as acionam para trás num movimento ascendente. Os cientistas acreditam que essa técnica . . . possibilita a força de sustentação e propulsão.”
Sem dúvida, ainda há muito que aprender sobre os aviadores da natureza. “Fisicamente, o que eles fazem com o ar para conseguir uma força de sustentação tão eficiente?”, pergunta Peter Ifju, professor de engenharia mecânica e aeroespacial na Universidade da Flórida. Ele continua: “Simplesmente não conseguimos entender todos os aspectos da Física envolvidos no vôo. Podemos ver o que [os pássaros e insetos] fazem, mas não compreendemos como isso interage com o ar.”
O que você acha? Será que as asas versáteis dos aviadores da natureza surgiram por acaso? Ou tiveram um projeto?

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM AS AVES?

  Estimativas de mortes de aves causadas anualmente por atividades humanas nos Estados Unidos
▪ Torres de comunicação — 40 milhões
▪ Pesticidas — 74 milhões
▪ Gatos domésticos e outros felinos — 365 milhões
▪ Vidraças — de 100 milhões a 1 bilhão
▪ Destruição do habitat — desconhecido, mas possivelmente o fator mais prejudicial

Pode ser perigoso tocar em aves feridas, porque elas não sabem que você está tentando ajudá-las. Além disso, algumas podem transmitir doenças aos humanos. Assim, se quiser ajudar uma ave ferida, use luvas e lave as mãos depois. Se estiver preocupado com os riscos à saúde ou segurança, não se aproxime. Dependendo da situação, você pode pedir ajuda profissional.

Prédios mais seguros para as aves

Para evitar colisões com vidraças, as aves precisam vê-las e reconhecê-las como um objeto sólido. Para esse fim, alguns moradores usam adesivos ou outros recursos bem visíveis em janelas sujeitas a colisões de aves, embora isso obstrua a visão deles. De acordo com o Dr. Klem, o que importa não é o desenho dos adesivos em si, mas o espaçamento entre eles. Sua pesquisa sugere que as figuras não devem ficar mais do que 5 centímetros de distância umas das outras em sentido horizontal e 10 centímetros em sentido vertical.
O que pode ser feito para ajudar as aves migratórias que voam à noite? “As colisões com prédios à noite   . . . em grande parte são evitáveis por apenas apagar as luzes”, disse Lesley J. Evans Ogden, uma especialista em pesquisa ecológica. Em algumas cidades, luzes decorativas em arranha-céus agora estão sendo apagadas ou tendo sua intensidade diminuída em certa hora da noite, especialmente durante a estação migratória. Em outros casos, redes foram instaladas em janelas de prédios altos a fim de que as aves não confundam os reflexos com o céu.
Essas medidas podem representar uma redução de até 80% nas mortes, salvando milhões de aves por ano. Mas o problema principal provavelmente não vai desaparecer, porque as pessoas gostam muito de luzes e vidraças. Sendo assim, as organizações dedicadas ao bem-estar das aves, como a Sociedade Audubon, estão tentando convencer arquitetos e construtoras a serem mais sensíveis às necessidades do mundo natural.

O impacto na população aviária

Durante a estação migratória, apenas um alto prédio em Chicago, Illinois, EUA, causou em média cerca de 1.480 mortes, de acordo com um relatório. Assim, durante um período de 14 anos consecutivos, umas 20.700 aves morreram por causa daquele único prédio. É claro que o total de aves que colidiram com o prédio foi bem maior. E não estamos falando de “pombos, gaivotas ou gansos”, mas de “aves ameaçadas de extinção”, disse Michael Mesure, diretor do Programa de Alerta para a Luz Fatal, em Toronto, Canadá.
Por exemplo, em um ano recente na Austrália, as vidraças mataram cerca de 30 periquitos-andorinha, espécie que conta agora com apenas 2 mil exemplares. Nos Estados Unidos, muitas espécimes do gorgeador-de-bachman, ave vista agora praticamente apenas em museus, foram encontradas depois de colidir com um farol na Flórida.
Das aves que sobrevivem a uma colisão, muitas ficam feridas ou fracas. Isso é perigoso principalmente para aves migratórias. Se elas caírem dentro de uma área com muitos prédios, podem morrer de fome ou servir de alimento para outros animais, alguns dos quais aprenderam a se aproveitar dessa fonte de comida ocasional.

Os assassinos — vidro e luz

Vidro significa perigo para as aves. Quando as janelas estão limpas e transparentes, as aves geralmente só conseguem ver o que está do outro lado, como o céu e plantas. Em resultado disso, acabam colidindo contra o vidro com toda a força. Elas talvez vejam plantas decorativas dentro de casas ou de saguões e tentam pousar nelas.
Vidros laminados ou espelhados também podem causar problemas. Em certas condições, as aves talvez vejam, não o vidro, mas o reflexo dos arredores ou do céu, e nesse caso também se machucam. Elas morrem até mesmo em santuários para aves e em refúgios para a vida selvagem ao colidir com vidros nas instalações de tais lugares. O Dr. Daniel Klem Jr., ornitologista e professor de biologia, acredita que mais aves morrem por colidir com janelas do que por qualquer outra causa relacionada a atividades humanas — exceto talvez por causa da destruição do habitat delas.
Algumas aves são especialmente propensas a colisões. A maioria dos pássaros canoros migratórios, por exemplo, voa para seu destino à noite e se orienta, em parte, por meio das estrelas. Em resultado disso, eles talvez fiquem confusos com as luzes brilhantes de prédios altos. De fato, alguns pássaros chegam a ficar tão desorientados que voam sem rumo até caírem de cansaço. Um outro perigo são as noites chuvosas ou nubladas. Em tais ocasiões, as aves tendem a voar em altitudes baixas, o que aumenta o risco de colidirem com prédios altos.

Quando aves colidem com prédios

EMBORA fosse dia, um pica-pau em pleno vôo bateu num arranha-céu e caiu no chão. A ave não viu a vidraça. Um pedestre bondoso encontrou-a atordoada e cuidou dela até que recobrasse os sentidos. Ele ficou feliz quando a ave piou, ergueu-se, eriçou suas penas e saiu voando.
Infelizmente, nem todas as aves sobrevivem a uma colisão como essa. De fato, daquelas que colidem com casas, cerca da metade morre. Pesquisas indicam que, só nos Estados Unidos, mais de 100 milhões delas morrem por ano depois de colidir com prédios de todos os tipos, diz a Sociedade Audubon. E alguns pesquisadores acreditam que esse número talvez chegue a quase 1 bilhão! Mas por que essas colisões? O que pode ser feito para impedi-las?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Descrição da Família

Visto que já me referi a “nós, ursos”, é provável que -tenha adivinhado que sou um urso-polar Sabe que tenho parentes de pêlo mais escuro no sul, embora alguns membros de minha família ursos-pardos e ursos-negros — também possam ser encontrados acima do Círculo Ártico.

Há notáveis diferenças entre nós e os outros ursos. À guisa de exemplo, compare nosso pescoço e nossa cabeça com os dos outros. Como vê, nosso pescoço é mais comprido e nossa cabeça é menor. Também, dificilmente ficamos em solo seco, como outros membros da família ficam. Somos ursos marítimos. (Talvez seja por isso que os cientistas nos chamam de Ursus marítimus.) Outra diferença é que nossa dieta, necessariamente, compõe-se quase que toda de alguma forma de carne.

Nossa cor, como sabe, é branca, com leve toque amarelado. É isso que me torna difícil de ser visto. Peso cerca de 544 quilos, a média para o adulto. Embora possua “grandes” tios, que chegaram até a 725 quilos e 3,40 metros de comprimento! Nos, machos, temos cerca de 2,40 metros de comprimento. As fêmeas são menores.

O grande urso-polar do Ártico

NÃO consegue ver-me, não é? Percebo isso pelo modo como está olhando bem para a crista de gelo em que estou, sem mostrar qualquer sinal de medo. Está totalmente absorto na paisagem — não querendo fugir, como faria se soubesse que estou aqui. Visto que posso atingir velocidades de 40 quilômetros horários num esforço só eu estaria aí junto em questão de segundos!

Talvez se eu tirasse a pata da frente de meu nariz negro, poderia ver-me, mas não quero assustá-lo. Além disso, acabo de comer, de modo que prefiro descontrair-me, como nós, ursos, amiúde fazemos depois de comer.

Enquanto faço isso, acho que vou contar-lhe um pouco sobre mim mesmo! Abrangerá seu conceito sobre esta parte do planeta. Sou tão típico desta zona frígida que me chamam de “o próprio símbolo do Ártico”.

O feito de engenharia do urso polar

O URSO polar, segundo certos cientistas, poderia ensinar muito à humanidade sobre a utilização da energia solar. O físico Richard E. Grojean ficou intrigado com essa idéia em meados dos anos 70, depois que se fez uma interessante descoberta sobre os animais brancos das regiões árticas.

Recenseadores da vida selvagem canadense descobriram que não podiam simplesmente tirar fotos aéreas convencionais dessas criaturas, visto que se confundem com a paisagem branca. Filmes infravermelhos, geralmente ideais para fotografar animais de sangue quente, também fracassaram. Os animais eram simplesmente insulados demais para desprender suficiente calor para o filme detectar. Todavia, quando se usaram filmes ultravioletas, focas brancas e ursos polares apareceram como objetos nitidamente pretos em contraste com o fundo branco. “Ao passo que a neve refletia os raios ultravioletas, os animais os absorviam”, noticia o jornal The Toronto Star.

Por quê? De acordo com o físico Grojean e Gregory Kowalski, professor adjunto de engenharia mecânica, a resposta reside na pelagem do urso. Quanto à invisível extremidade ultravioleta do espectro, os pêlos absorvem 90 por cento da luz ultravioleta e a transmitem para a pele negra abaixo, aquecendo assim o urso. Nas regiões árticas, onde a temperatura com freqüência cai a 29 graus centígrados negativos, a capacidade da pelagem de manter seu dono aquecido é notável. Os coletores solares comuns de telhado, em comparação, são muito menos eficientes. De fato, Kowalski calcula que a eficácia dos painéis solares poderia aumentar em 50 por cento por se aplicar os princípios do revestimento de pêlos do urso.

Quanto à parte visível do espectro, os pêlos do revestimento de pêlos comportam-se de forma justamente oposta; refletem 90 por cento da luz. Isto dá ao urso sua deslumbrante aparência branca, embora os próprios pêlos individuais não sejam realmente brancos, mas transparentes e sem pigmentos. A brancura do revestimento habilita o urso a caçar sem ser visto na paisagem ártica coberta de neve. Alguns observadores chegaram a ver ursos polares cobrirem seu nariz preto ao se aproximarem de sua presa, como se estivessem cônscios da necessidade de se confundir com a neve.

A pelagem do urso polar preenche perfeitamente duas necessidades importantes do animal: parecer branco e ficar aquecido. Pouco é de admirar, pois, que o físico Grojean elogiasse a pelagem como “fantástico feito de engenharia”. Resumindo, esta criatura ímpar e magnífica comprova a sabedoria do seu Criador.

Visitas ao urso-polar

Como podemos visitar essas interessantes criaturas? Os cientistas ergueram torres de aço de 14 metros ao longo da costa da baía de Hudson, a partir das quais se observam os ursos-polares.

Há Tundra Buggies à disposição dos turistas na cidade de Churchill. São veículos grandes, blindados, que levam vários passageiros em passeios turísticos. Às vezes dá para ver bem de perto um urso-polar quando um deles se apóia no revestimento de metal ou bate nele com a pata para chamar atenção ou pedir comida.

Esperamos que tenha gostado dessa visita aos gigantescos ursos-polares do norte do Canadá, que estão, segundo consta, entre os dez “mais populares” animais do mundo. De fato, são criaturas lindas, obra do Criador todo-sábio, que lhes deu a capacidade de se adaptar às imensidões gélidas da bacia do Pólo Norte da Terra.

Outras características

Segundo um artigo na revista Life, “os ursos-polares são os nadadores quadrúpedes mais resistentes do mundo”. Podem nadar por entre banquisas em extensas baías. Já que nem água nem cristais de gelo aderem ao seu pêlo oleoso, uma boa sacudida espirra uma nuvem de gotículas. Uma rolada na neve seca elimina o resto da umidade, e em alguns minutos a pelagem fica seca.

Só recentemente os cientistas aprenderam surpreendentes segredos da pelagem do urso-polar. Seu deslumbrante branco é o resultado de como a luz é absorvida e refletida por sua pelagem, o que também ajuda a mantê-lo aquecido.

Mas como é que eles se orientam na mutante paisagem marítima do Ártico, que apresenta poucos aspectos permanentes, se é que algum, que poderiam ajudá-los a se nortear? Segundo o livro Arctic Dreams (Sonhos do Ártico), o urso “deve ter um mapa na cabeça . . . A memória não é de nenhuma ajuda. Como os ursos criam e usam esses mapas é uma das mais intrigantes de todas as perguntas sobre eles”. Eles podem vaguear por semanas, sem se perder.

Embora os ursos-polares raramente ataquem seres humanos, os visitantes precisam respeitar sua grande força e agilidade. O mesmo livro disse: “Os ursos-polares são bastante acanhados e pacíficos, especialmente em comparação com os ursos grizzly.” No entanto, eles poderiam surpreendê-lo, porque suas patas peludas tornam seus passos quase silenciosos.

O acasalamento e a toca

O urso macho não tem nada de ‘chefe de família’. Depois do acasalamento, ele deixa a fêmea entregue à própria sorte, com toda a responsabilidade de criar os filhotes. O óvulo fertilizado dentro dela divide-se algumas vezes e depois permanece latente durante os quatro ou cinco meses seguintes.

Quando ocorre a implantação e começa o desenvolvimento do feto, a fêmea cava uma toca no monte de neve mais profundo que possa encontrar ou no solo às margens de um lago. Ela permanece ali, sem comer, nem urinar ou defecar até o fim de março.

A toca é muito bem feita. Da entrada, um túnel de uns dois metros de comprimento sobe até a espaçosa câmara, em que a fêmea se abriga. A toca retém o calor do corpo dela, ficando geralmente 20 graus centígrados acima da temperatura externa. Uma pequena abertura no teto deixa sair o ar viciado. Conforme a necessidade, a fêmea providencia um piso novo, raspando neve do teto e calcando-a com as patas.

Seria de esperar que uma ursa enorme dessas tivesse crias de tamanho compatível com o seu. Mas, ao nascerem, os filhotinhos pesam só uns 500 gramas! Em geral nascem em dezembro ou em princípios de janeiro.

As crias, cegas e surdas ao nascerem, são cobertas por uma penugem felpuda, menos nas plantas das patas e no focinho. Com garras em forma de foice, elas grudam no pêlo da mãe para mamar o leite nutritivo, cremoso e com sabor de óleo de fígado de bacalhau.

Na maior parte das regiões do Norte, as fêmeas geralmente têm duas crias por vez, de três em três anos. No entanto, as da região da baía de Hudson às vezes têm três crias e, mais raramente, quatro, de dois em dois anos. Os filhotes crescem rápido. Escutam os primeiros sons com uns 26 dias. Sete dias depois os olhos se abrem. A penugem com que nasceram se transforma na pelagem natural, de densidade bem maior.

Perto do fim de março, a família sai da toca na ensolarada primavera ártica. Os filhotes rolam a valer na neve que há em abundância por todo lado. Quando acham uma encosta íngreme, descem deslizando nas barriguinhas gorduchas, com as perninhas dianteiras e traseiras estendidas, até chegar nos braços da mamãe, que os espera lá embaixo.

Às vezes os filhotes acham difícil acompanhar a mãe na neve profunda. Qual é a solução? Andar “de cavalinho”, ora essa! Certa vez um fotógrafo viu ursas, que haviam sido perturbadas por um helicóptero, fugindo com os filhotes na garupa, “como joqueizinhos assustados”.

A mãe os treina com todo cuidado por uns dois anos e meio. Depois os abandona. Os jovens ursos ficam independentes.

Magníficos gigantes do norte do Canadá

Do correspondente de Despertai! no Canadá

“REI do Norte” e “Senhores do Ártico” são títulos notáveis compartilhados por uns 30.000 ursos-polares que vagueiam por toda a bacia do Pólo Norte.

Existem várias populações distintas de ursos-polares. Certo grupo escolheu como domínio a costa sudoeste da baía de Hudson, no Canadá, da ilha Akimiski, na baía de James, à enseada de Chesterfield, ao norte. Assim, Churchill, em Manitoba, localizada entre as duas, ganhou o título de “capital mundial do urso-polar”.

O urso-polar macho percorre seu domínio com curiosidade e infatigável disposição. Isto lhe granjeou o nome poético Pihoqahiak, dado pelo povo inuit, que significa “aquele que está sempre vagueando”.

Antigos exploradores do norte do Canadá ficaram fascinados pelo urso-polar. John Muir, um naturalista americano, descreveu-o como ‘animal de aspecto nobre e enorme força, que vive corajosa e confortavelmente em seu habitat de gelo eterno’.

Embora pesem de 450 a 640 quilos, eles são quase tão ágeis quanto gatos. Um biólogo disse: “São como gatos grandes. Sua velocidade é absolutamente inacreditável — são velocíssimos.”

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pesquisas com animais — reações violentas

CASO fosse possível tabular o número preciso de quadrúpedes utilizados em experimentos de laboratório e como modelos de pesquisas médicas, o total mundial, anual, seria assombroso. Calcula-se que, pelo menos, 17 milhões de animais — cães, gatos, primatas, cobaias e coelhos — sejam usados todo ano, apenas nos Estados Unidos. Ratos e camundongos constituem 55 por cento deste total. Visto não haver registros precisos de onde tais animais são usados e quantos são, alguns peritos consideram que estes totais são, no máximo, estimativas imprecisas. Algumas fontes situam o total, para os Estados Unidos, em torno de cem milhões. Acha chocantes estes números?

Embora o sacrifício destes animais peludos não deixe de ter sua finalidade, sente repulsa só em pensar nisso? Considera imoral tal matança? Milhões de pessoas sentem repulsa de ver os animais serem usados em pesquisas. Alguns argumentam que o abuso dos animais é especieismo. Um especieista é alguém que tem “preconceito em favor dos interesses de sua própria espécie e contra os interesses de outra espécie”. (Point/Counterpoint Responses to Typical pro-Vivisection Arguments [Respostas de Ponto/Contraponto Para os Argumentos Típicos a Favor da Vivisecção]) Segundo os que são a favor da libertação dos animais, os especieistas “crêem que o fim justifica os meios, e que é preciso causar o mal [aos animais] para atingir o bem [em prol dos humanos]”.

Por outro lado, o ponto de vista científico é resumido nas seguintes perguntas: Ressente-se de um sistema que advoga a matança de animais, de modo que os médicos possam aprender novas técnicas ao realizar operações em humanos ou impedir a disseminação de doenças mortíferas? Está disposto a descartar os fármacos e as tratamentos que salvam vidas, por saber que foram primeiramente testados em animais? Estaria disposto, sim, preferiria que seu filho ou um de seus genitores, que sofreu morte cerebral, fosse usado numa cirurgia experimental, em vez de um animal? E, por fim, há o seguinte: Caso as pesquisas com um animal pudessem salvar você ou um ente querido de uma excruciante doença ou da morte, recusar-se-ia a permiti-las, por ter o conceito de que é imoral sacrificar um animal para salvar um humano?” Alguns diriam que tal dilema não é tão fácil de solucionar.

Bichinhos em Abundância

A menos que more numa fazenda, sua satisfação com os animais talvez se limite principalmente a cães, gatos, pequenos, pássaros ou peixes. Todavia, há pessoas que têm tartarugas, hamsteres ou certos insetos como bichinhos de estimação, tais como moscas ou baratas. Realmente, a lista de bichinhos de estimação é ampla. As crianças japonesas não raro domesticam camundongos. Alguns australianos têm cangurus como bichinhos de estimação. Daí, o que dizer de mangustos, rãs, macacos e lontras? E, incrível como pareça, cerca de 10.000 estadunidenses possuem grandes felinos, tais como leões e leopardos, como bichinhos de estimação!

Certo livro informava recentemente que havia oito milhões de cães e gatos na Alemanha Ocidental, e cerca de 16,5 milhões em França. O Times de Londres (9 de set. de 1967) disse que, em um só ano, os ingleses gastaram 95.555.304 libras em comida para mais de 5 milhões de cães, 4,5 milhões de gatos e 3,5 milhões de aves, peixes e outros bichinhos. Quanto aos Estados Unidos, a revista Time declarou:

“Atualmente os E. U. A. atravessam o que só pode ser descrito como explosão animalthusiana. . . . Os cerca de 100 milhões de cães e gatos nos E. U. A. se reproduzem à taxa de 3.000 por hora versus] os 415 bebês humanos que nascem a cada 60 minutos. Calculadamente 60% das 70 milhões de famílias estadunidenses possuem bichinhos de estimação.”

Se o leitor, também, aprecia os animais — quer tenha quer não um animal de estimação — talvez já tenha pensado nos vários benefícios dos animais.

Aprecie os animais — em seu devido lugar!

O JOVEM casal visitava pela primeira vez Berlim, Alemanha. Havia muitas coisas para ver — o teatro da ópera, lagos, museus e lugares históricos. Todavia, uma das suas lembranças mais gratas foi algo que viram no zoológico.

Na área espaçosa dos ursos polares, um urso entrava e saía da água, ao brincar com uma pá de cabo comprido. Eles o observaram lançar seu brinquedo esquisito no ar, e então mergulhar na água para recuperá-lo. Não havia dúvida de que se estava divertindo. E que prazer foi observá-lo!

Já se deleitou, também, em observar os animais, ou em ficar junto deles? Talvez fosse uma ocasião em que, depois de muita paciência de sua parte, uma tâmia ou um esquilo chegaram tão perto a ponto de apanhar uma amêndoa entre seus dedos. Ou, talvez, ria-se agora ao lembrar da ocasião em que acariciou um veadinho manso ou observou seu gatinho novo correndo atrás duma folha.

Francamente, quase todos podemos derivar grande prazer dos animais. Oh, é verdade, talvez tenha algumas dúvidas quanto a cobras, aranhas, morcegos ou algo desse tipo. E, mesmo assim, em geral, a maioria de nós considera os animais como sendo agradáveis e interessantes.

Há necessidade, contudo, de manter os animais em seu lugar relativo e devido, se havemos de apreciá-los plenamente. Um exemplo, admitidamente radical, ilustra vigorosamente este ponto.

Certo senhor gostava intensamente de seu bichinho de estimação — uma jibóia de um metro e meio. Embora sua esposa tivesse medo dela, ele insistia em levar a cobra para dormir com eles, dormindo com ela toda enroscada em seu corpo. Começou a levar a jibóia para a mesa, enrolando-a em seus ombros. Quando, por fim, começou a alimentá-la à mesa com camundongos vivos, isso foi demais para sua esposa. Ela obteve um divórcio. E o marido? Passou a adquirir outra jibóia, esperando que as duas acasalassem. É óbvio que ele apreciava os animais, pelo menos os desta espécie: Mas, será que os apreciava a um grau razoável, ou em seu devido lugar?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Como alguns mantêm contato

Poucos sons são tão espetaculares como o rugido do leão em uma noite silenciosa. Várias razões já foram propostas para essa comunicação. O poderoso rugido de um macho é um aviso a todos de que ele está em seu território; quem se intrometer estará por sua própria conta e risco! Mas, por ser um felino sociável, o leão também ruge para manter o contato com outros membros da alcatéia. Geralmente, é um rugido mais suave, menos agressivo. Certa noite ouviu-se um leão rugir a cada 15 minutos, até que um “parente” respondeu, à distância. Eles continuaram “conversando” por mais 15 minutos, até que finalmente se encontraram — e os rugidos cessaram.

Além de aprofundar os relacionamentos, esses contatos oferecem proteção contra as intempéries. A galinha emite diversos sons que transmitem diferentes mensagens aos pintinhos. O mais distinto, porém, é o som longo, surdo, emitido ao anoitecer, indicando que ela voltou para casa para recolher-se. Seguindo o chamado da mãe, os pequeninos que estão espalhados se juntam sob suas asas e abrigam-se para passar a noite. — Mateus 23:37.

Hora de comer

No mundo selvagem, muitos predadores têm de desenvolver seu talento para a caça, a fim de se tornarem bons caçadores. Os jovens têm de prestar muita atenção à medida que os pais os conduzem passo a passo. Em um santuário africano da vida selvagem, uma fêmea de chitá, chamada Saba, foi observada quando dava importantes lições de sobrevivência para seus filhotes. Depois de rondar, por mais de uma hora, uma gazela-de-thomson que pastava, a chitá deu um salto gigante, prendeu e sufocou o infeliz antílope — mas não o matou. Pouco depois, Saba largou o animal aturdido diante dos filhotes que, estranhamente, relutavam em lançar-se à presa. Os pequenos chitás entenderam por que a mãe lhes havia trazido um animal vivo: ela queria que eles aprendessem a matar a gazela. Toda vez que a presa tentava erguer-se e correr, os filhotes, bastante alvoroçados, a levavam ao chão. Exausta, a gazela desistiu de lutar pela sobrevivência. Observando à distância, Saba aprovou as ações dos filhotes.

Alguns animais se especializam em fazer o maior barulho possível quando estão procurando comida. Uma alcatéia de hienas-malhadas grunhe, bufa e solta gargalhadas quando está correndo atrás da presa. Uma vez que esta tenha sido morta, a infame “gargalhada” das hienas convidará outras delas para o banquete. Mas as hienas nem sempre caçam para conseguir comida. No mundo selvagem, elas estão entre os piores piratas de comida — usando todos os métodos para atormentar outros predadores com sucessivos ataques, de modo que possam tomar-lhes a presa. Imagine, sabe-se que em alguns casos elas afugentaram leões de sua refeição! Como conseguem isso? Esses animais barulhentos trabalham freneticamente na tentativa de perturbar os leões que estão se alimentando. Se eles ignoram o barulho, as hienas ficam mais agitadas e ousadas. Acabou-se a tranqüilidade! Daí, os felinos em geral abandonam a carcaça e deixam a área.

A busca por comida é um ritual complicado para as abelhas. Estudos científicos complexos revelaram que, dançando, a abelha informa à colméia a localização, o tipo e até a qualidade do alimento encontrado. A abelha carrega no corpo amostras do alimento, como néctar ou pólen, para as outras abelhas da colméia. Ela executa uma dança em forma de oito e, desse modo, dirige as outras à fonte de alimento e indica a distância a ser coberta. Cuidado! Aquela abelha pairando perto deve estar obtendo informações importantes para levar para casa. Talvez tenha confundido o perfume que você está usando com a próxima refeição dela!

Predadores!

Estamos em meados de julho. No imenso Parque Nacional Serengeti, na Tanzânia, milhares e milhares de gnus estão indo para o norte em busca de pastagens mais verdejantes na Reserva de Caça Masai Mara, no Quênia. As planícies ecoam ao som dos cascos, durante esta migração anual. Mas o perigo está à espreita, ao longo do caminho. O percurso está repleto de animais predatórios como o leão, o chitá, a hiena e o leopardo. Os gnus também se arriscam ao atravessar o rio Mara, infestado de crocodilos. Como os gnus conseguem afastar os predadores?

Para confundir o inimigo, o gnu corre uma distância pequena, então dá meia-volta e encara o inimigo, sempre agitando a cabeça de um lado para outro. Ele salta de maneira esquisita, num show lúdicro. Até o pior predador se detém, surpreso com essa dança desajeitada. Se o predador insistir em se aproximar, o gnu repetirá a apresentação. Isso confunde tanto o intruso, que às vezes ele abandona a caçada depois do espetáculo. A dança deselegante concedeu ao gnu a distinção duvidosa de ser o palhaço das planícies.

Os “primos” menores do gnu, as impalas, são conhecidos por seus saltos gigantescos. Para muitos, esses saltos nas alturas podem ser sinônimo de graça e velocidade. Numa ocasião de perigo, porém, esse antílope usa suas técnicas de “vôo” nas alturas, dificultando as coisas para o predador que tenta agarrá-lo pelas pernas. Os saltos, que podem chegar a nove metros de distância, dão ao atacante uma mensagem clara: “Siga-me, se puder!” Poucos predadores têm vontade de fazer isso só para tentar capturar a impala que demonstra tanta má vontade.

A língua da selva — segredos da comunicação entre os animais

DO REDATOR DE DESPERTAI! NO QUÊNIA

A COMUNICAÇÃO é, sem dúvida, um dos dons mais preciosos dados ao homem. Por meio dela passamos informações vitais uns aos outros. A comunicação pode ser verbal ou não-verbal, como os gestos. A liberdade de expressão é, de fato, um assunto muito debatido em toda a Terra. Portanto, alguns presumiram que a comunicação é uma prerrogativa do homem.

Porém, as pesquisas mostram que os animais trocam informações de maneiras intrincadas, que geralmente deixam o homem perplexo. Sim, eles “falam”, não com palavras, mas com sinais visuais como abanar a cauda, contorcer uma orelha, ou bater as asas. Outras formas de comunicação envolvem a emissão de voz. Podemos citar como exemplos o latido, o rugido, o rosnado, o canto dos pássaros. Algumas formas de “linguagem” são óbvias para os humanos, mas outras requerem muito estudo científico para serem detectadas.