terça-feira, 15 de junho de 2010

O acasalamento e a toca

O urso macho não tem nada de ‘chefe de família’. Depois do acasalamento, ele deixa a fêmea entregue à própria sorte, com toda a responsabilidade de criar os filhotes. O óvulo fertilizado dentro dela divide-se algumas vezes e depois permanece latente durante os quatro ou cinco meses seguintes.

Quando ocorre a implantação e começa o desenvolvimento do feto, a fêmea cava uma toca no monte de neve mais profundo que possa encontrar ou no solo às margens de um lago. Ela permanece ali, sem comer, nem urinar ou defecar até o fim de março.

A toca é muito bem feita. Da entrada, um túnel de uns dois metros de comprimento sobe até a espaçosa câmara, em que a fêmea se abriga. A toca retém o calor do corpo dela, ficando geralmente 20 graus centígrados acima da temperatura externa. Uma pequena abertura no teto deixa sair o ar viciado. Conforme a necessidade, a fêmea providencia um piso novo, raspando neve do teto e calcando-a com as patas.

Seria de esperar que uma ursa enorme dessas tivesse crias de tamanho compatível com o seu. Mas, ao nascerem, os filhotinhos pesam só uns 500 gramas! Em geral nascem em dezembro ou em princípios de janeiro.

As crias, cegas e surdas ao nascerem, são cobertas por uma penugem felpuda, menos nas plantas das patas e no focinho. Com garras em forma de foice, elas grudam no pêlo da mãe para mamar o leite nutritivo, cremoso e com sabor de óleo de fígado de bacalhau.

Na maior parte das regiões do Norte, as fêmeas geralmente têm duas crias por vez, de três em três anos. No entanto, as da região da baía de Hudson às vezes têm três crias e, mais raramente, quatro, de dois em dois anos. Os filhotes crescem rápido. Escutam os primeiros sons com uns 26 dias. Sete dias depois os olhos se abrem. A penugem com que nasceram se transforma na pelagem natural, de densidade bem maior.

Perto do fim de março, a família sai da toca na ensolarada primavera ártica. Os filhotes rolam a valer na neve que há em abundância por todo lado. Quando acham uma encosta íngreme, descem deslizando nas barriguinhas gorduchas, com as perninhas dianteiras e traseiras estendidas, até chegar nos braços da mamãe, que os espera lá embaixo.

Às vezes os filhotes acham difícil acompanhar a mãe na neve profunda. Qual é a solução? Andar “de cavalinho”, ora essa! Certa vez um fotógrafo viu ursas, que haviam sido perturbadas por um helicóptero, fugindo com os filhotes na garupa, “como joqueizinhos assustados”.

A mãe os treina com todo cuidado por uns dois anos e meio. Depois os abandona. Os jovens ursos ficam independentes.

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