terça-feira, 27 de abril de 2010

Colonizadores extremamente adaptáveis

Os gatos selvagens reproduzem-se muito rápido. Uma fêmea dá à luz uma ninhada de até sete gatinhos antes de completar um ano de idade. Daí, ela passa a ter até três ninhadas por ano, cada uma composta de quatro a sete filhotes. Ela continua fértil durante toda sua vida, que pode durar de sete a oito anos. Se uma fêmea tiver anualmente apenas três filhotes fêmeas e três machos, e se acontecer o mesmo com suas crias fêmeas, dentro de sete anos aquele único indivíduo terá dado origem a milhares de descendentes.
Para sobreviver ao clima árido da Austrália, porém, é necessário mais do que uma boa capacidade reprodutiva. Os gatos caçam à tarde quando está mais fresco, ou cedo de manhã. Evitam o calor do dia dormindo em troncos ocos ou em tocas de coelho. Além disso, os gatos selvagens conquistaram até o deserto mais seco, visto que não precisam beber água para sobreviver. Eles obtêm o líquido de que precisam da carne fresca dos animais que caçam.
Os gatos selvagens também são muito flexíveis em sua alimentação. Embora prefiram coelhos, o Serviço de Vida Selvagem e de Parques Nacionais da Nova Gales do Sul declara: “Os gatos matam e comem mais de 100 espécies de aves nativas da Austrália, 50 espécies de mamíferos e marsupiais, 50 espécies de répteis e muitas outras de rãs e invertebrados.” E eles têm apetite voraz. Um gato macho pode comer todos os dias entre 5% e 8% de seu peso corporal. Se estiver amamentando filhotes, a fêmea pode consumir diariamente até 20% de seu peso. Numa ilha isolada, somente 375 gatos selvagens consumiram 56.000 coelhos e 58.000 aves marinhas em apenas um ano.
A maioria dos animais nativos da Austrália não é páreo para o gato selvagem. Segundo a revista Ecos, especializada em meio ambiente, acredita-se que devido à caça predatória, os gatos selvagens sejam responsáveis pelo “pouco sucesso do programa de reintegração de mamíferos ameaçados de extinção nas regiões áridas da Austrália”.

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