terça-feira, 20 de abril de 2010

Os Imprevisíveis Ursos

A próxima figura, contudo, era um bem grandalhão — um imenso urso-kodiak marrom todo espichado contra as grades da jaula.

“Este é Chow. Seu treinador certo dia o estava alimentando com peixe, e Chow pegou o peixe e a perna do treinador. Como era de esperar, o treinador perdeu seu interesse em Chow, de modo que Chow veio parar aqui. Na minha opinião”, disse Martine, “de todos os carnívoros, os ursos são os mais imprevisíveis. A expressão de seu olhar nunca muda. Os grandes felinos, os lobos e outros animais fornecem um indício. Há mudanças na expressão dos olhos e do corpo. Com os ursos, nada muda, nem os olhos, nem o corpo — a menos que, naturalmente, esteja atacando. Ele caminha para pegar um peixe, mas em vez disso talvez golpeie quem lhe oferece.”

“Será que algum dos seus trabalhadores entra na jaula de Chow?”

“De jeito nenhum.”

“Ele parece dócil.”

“Talvez sim, talvez não. Quem pode dizer? Ele seria um bom jogador de pôquer. Deveras temos ursos em cujas jaulas entramos, os ursos-negros. Nós os levamos a nadar no nosso tanque, quando querem.”

“Quando querem”, indaguei.

“Pode parecer engraçado, mas alguns animais enjaulados nunca querem deixar suas jaulas. É o território deles e não querem deixá-lo. É seu ‘lar doce lar’.

“Bem aqui há vários ursos-negros. Vê aquela com uma etiqueta na orelha? Trata-se duma etiqueta federal. Era uma ursa do governo em um dos parques. A ursa-mãe, aparentemente, alimentava-se do que as pessoas nos carros lhe davam. Quando ela nasceu, a ursa-mãe mostrou-lhe como obter guloseimas que havia dentro dos carros, como colocar suas patas nos encaixes ao redor da porta dum carro e arrancá-la. Ou qualquer outra parte do carro que pudesse arrancar. Ensinou-se-lhe que no interior de cada carro havia guloseimas. Daí ela teve crias — vê aqueles dois ursinhos? São dela — e ela ensinou-lhes o que aprendera da ursa-mãe: achar um carro, arrombá-lo e apanhar as guloseimas que estão dentro.

“Mas os guardas-florestais não vêem isso com bons olhos. Capturam esses ursos e os levam para regiões isoladas, esperando que não retornem. Mas a maioria deles retornam, e não acham nada de mais viajar 80 a 160 quilômetros para retornar aos carros e às guloseimas. Então é uma questão de aniquilar os ursos, ou encontrar outro lugar para eles. A maioria das vezes os matam. Mas esta ursa-mãe, Honeybear, era uma favorita. Os guardas conheciam a mãe dela, viram-na como filhotinho e acompanharam seu crescimento. Era especial para eles, de modo que ela e seus filhotes vieram parar aqui. Alimentar os ursos dos parques”, concluiu Martine, “pode parecer uma boa ação, mas é uma ação

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