terça-feira, 20 de abril de 2010

Ser Razoável na Afeição

Conforme já consideramos, os animais podem ser valiosos de muitas formas. E há prova abundante de que um bichinho pode ser um companheiro agradável, divertido e devotado. Compreensivelmente, os humanos poderão retribuir-lhe a afeição, desejando ser bondosos e cuidar de um bichinho.

Ainda assim, o fato de que alguns humanos imperfeitos vão a extremos com respeito aos vários prazeres e interesses, deve alertar-nos ao perigo de “exagerarmos” no que tange aos animais.

Sabia que há pessoas que forneceram a seus bichinhos coisas tais como coleiras de ouro, calcinhas de renda negra, camisolas e festas de aniversários? Compram fraldas presas por colchetes, para seus periquitos, cílios postiços para seus poodles e óculos para o sol para seus bichinhos em férias. Certa senhora de Nova Iorque fazia com que seus dois cães fossem apanhados cada dia numa limusine com motorista particular; eram levados lentamente de carro para dar voltas num parque “de modo que pudessem respirar ar fresco e ver um pouco de verde”.

As pessoas ficam tão envolvidas emocionalmente com bichinhos de estimação que os animais passam a governar as vidas humanas. Certo casal ia emigrar para a Austrália. Já tinham enviado sua mobília. Mas, quando a cadela alsaciana não conseguiu passar no exame médico e não teve permissão de entrar no país, cancelaram sua passagem e pagaram 500 libras para que a mobília fosse mandada de volta. Disseram “A nova vida não teria significado se sacrificássemos nossa cadela por ela. Ela faz parte de nosso casamento.

Como no caso daquele senhor, com sua jibóia, um bichinho se torna mais importante, para alguns, do que as ligações maritais. Certa senhora possuía seis gatos siameses, embora o marido dela fosse alérgico a gatos e quase tivesse morrido sufocado várias vezes. Muito embora estivesse grávida de seu primeiro filho, estava disposta a divorciar-se antes que viver sem seus gatos. Noticiou-se que “esperava apenas que o filho dela não herdasse a alergia do pai”.

Quando a afeição pelos animais não é controlada pela razoabilidade, os animaizinhos podem parecer mais importantes até do que a vida humana. Donas histéricas de bichinhos se juntaram do lado de fora dum hospital veterinário. A notícia é de que “as mulheres choravam, arrancavam seus cabelos, várias delas desmaiaram, e duas tentaram passar pelo cordão de isolamento, gritando que desejavam morrer junto com seus queridinhos”.

Sim, é preciso ser razoável. De outra forma, a pessoa talvez permita gradualmente que os animais ocupem um lugar cada vez mais importante em sua vida e em suas afeições. Como temos visto, isto pode acontecer e acontece mesmo. Ao passo que, de início, a pessoa talvez pense que seria agradável ter um animalzinho em casa, sem a razoabilidade, poderia chegar ao ponto de gastar quantidades incomuns de dinheiro, tempo e atenção com o bichinho. Ou, muito embora seja pessoa asseada, poderia vir a permitir ser “beijada” por um bichinho que acabara de lamber suas partes sexuais e anais, ou de comer algo insalubre. Por certo, é preciso evitar os extremos.

Também, a pessoa deve avaliar suas intenções quanto ao bichinho. Será uma questão de concentrar sua afeição ou companhia num animal, como substituto para obter isso de outros humanos? Em seu livro Tiere Sind Ganz Anders (Os Animais São Bem Diferentes), observou Hans Bauer: “É inteiramente desarrazoado ‘pular parai o mundo animal’ porque a pessoa está ‘desapontada’ com os homens.” Passou a mencionar quão triste é alguém ‘desmanchar-se em afeição por um cachorro ou gato na esperança de descobrir num animal o que não conseguiu encontrar entre sua própria espécie’, visto que “a inteira natureza [dum animal] sempre o impede de fornecer-lhe” isto.

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